
ESTÁS AQUI PARA SER FELIZ????? CHEFCHAUEN - MARRUECOS
Em 29 de junho de 2009

ESTÁS AQUI PARA SER FELIZ????? CHEFCHAUEN - MARRUECOS
Em 29 de junho de 2009

Este é o trigésimo primeiro número dos Cadernos Negros, um periódico literário que, desde 1978, publica poemas e contos afro-brasileiros.
A cada final de ano, esta tradição se atualiza: um novo número, outra capa, outros autores e autoras, outra ordem, algumas faltas e até saudades.... um novo lançamento e o amadurecimento crescente de uma escrita que revela o esforço coletivo de participar da construção de uma literatura brasileira que rompe com o elitismo eurocêntrico.
Considerada marginal por uns, menosprezada por outros, valorizada por outros tantos a produção dos Cadernos traz para o interior da literatura brasileira a cara, a cor, as tradições, as dicções de participantes da "comunidade imaginada" Brasil que desejam expor de modo criativo seus sentimentos, questões, desejos, faltas, sonhos e inquietações. Para o leitor e a leitora afro-brasileiro/a é uma oportunidade de criar um ponto de identificação com escritores/as e personagens, de ver representadas nos textos literários histórias, estórias e emoções que se parecem com as suas.
Esta experiência de escrita consiste também em um estímulo para que jovens negros/as das escolas públicas e não somente, das periferias e não só, entrem em contato com quem "ao som decanta de Marimba augusta" pois sabe que "esta lira conspira/com os segredos do berimbau" como sugerem os poetas negros Gama e Cuti.
Florentina da Silva Souza
Professora Adjunta do
Instituto de Letras UFBA,
Vice-diretora do CEAO-UFBA
BATEIA U
Vento abre o portão:
Cresce o jardim.

Dilúvio
Chuva cai
Poça d’água circunda a roseira:
-
Mundo ilhado.
ZEFERINA
A primeira vez que a vi
Lavava-se ela
Da poeira e sangue nas pernas
Na Fonte do Xixi.
Portava uma lazarina.
Da segunda vez,
A Filha de Olorum
Rainha Zeferina,
Já menina reinava.
Seu sorriso de colar,
Contas para Oxalá.
Seu séquito, súditos benfeitores.
Da terça vez
A guerreira Zeferina estava no poste
Na entrada-saída da cidade.
Por um olhar sentinela foi fotografada
E seu brilho virou cartão postal
Na livraria do aeroporto.
- Vidas à Rainha Zeferina! Vidas!
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Publicado em Cadernos Negros 31
Quilombhoje, São Paulo, 2008
Aqui está um desenho de 1950 de Mario Cravo, meu pai:
Olorum criando
os orixás!
E-mail de Mário Cravo Neto
Em 17 Janeiro de 2007

A capa da edição do volume n° 5 de Cadernos Negros de 1982.
No bojo tantas palavras como, no prefácio, as de Lélia Gonzalez.
Nós mudamos, e à eles...que nos olham, que nos tratam.
O pós-conceito é positivo depois destes trinta anos?
QUARTINHAS DE ARUÁ, CASA DE ANGOLA
Na lua cheia de 29 DE Agosto de 2007
COLA
Sendo preto
O lápis,
Todas as letras que saem dele
Formam palavras negras.
Marque todas as acima
na prova do vestibular.
"El hombre debe arrancar el mundo de las manos de la naturaleza,
con el fin de construir un nuevo de los cuales sea el amo"

A área de serviço é senzala moderna,
Tem preta eclética, que sabe ler “start” ;
“Playground” era o terreiro a varrer.
Navio negreiro assemelha-se ao ônibus cheio,
Pelo cheiro vai assim até o fim-de-linha;
Não entra no novo quilombo da favela.
Capitão-do-mato virou cabo da polícia,
Seu cavalo tem giroflex ( rádio-patrulha).
“Os ferros”, inoxidáveis algemas;
Ração pode ser o salário-mínimo,
Alforria só com a aposentadoria.
(Lei dos sexagenários)
“Sinhô” hoje é empresário,
A casa-grande verticalizou-se,
O pilão está computadorizado.
Na última página são “flagrados” ( foto digital),
Em cuecas, segurando a bolsa e a automática:
Matinal pelourinho.
A princesa Áurea canta,
Pastoreia suas flores.
O rei faz viaduto com seu codinome.
- Quantos negros? Quanto furor?
Tantos tambores...tantas cores...
O quê comparar com cada batida no tambor?
*****
“- A escravatura não foi abolida; foi distribuída entre os pobres.”
Soldado no Posto
SO Dol
Mv Bill
A minha condição é distinta
Estou de serviço ao lado do aeroporto não posso ir pro axé
Não posso jogar capoeira na pista
Na vida que eu levo eu não posso brincar
Eu carrego uma nove e uma HK
Pra minha segurança e tranqüilidade do posto
Se pa se pam eu sou só mais um soldado novo
Vinte e quatro horas de plantão
Ligado no sargento bolado com os capitão
Disposição cem por cento até o osso
Ainda tenho um patapata lotado no meu bolso
Qualquer farda agora eu sei engomar
Tem um monte de piriguete querendo me fotografar
Todo mundo entra aqui encontra abrigo
Apresento armas fico em sentido.
Meu sucesso mantendo o olho aberto
Pra vestir o camuflado tem que ser esperto
Essa guarda eu protejo até o fim
Nesse momento minha coroa ta ligando pra mim
É assim demorou desligou já é
Se eu estava na hora não posso arredar pé
De manhã consegui me cortar no espelho
Todo combatente tem sangue vermelho
Pra mina de fé dei o retrato melhor
Colete à prova de bala, prova de amor maior
Varias vezes me sinti mais homem
Vestindo a farda estampado meu nome
Na avenida sete eu fui desfilar
A corneta tocou é hora de perfilar
Dar a ordem unida e preparar a missão
Imobilidade e imobilização.
Seria diferente se eu fosse franzino
Que não aguenta arma, desmaia, caindo
Pensando ser piloto nem pensei em faculdade
Não, não é essa minha realidade
Raspei o cabelo por causa de mal olho
Na fila do rancho salada de repolho


Meu perfil
BRASIL, Nordeste, Salvador, Itapuã, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros, Poesia
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